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Idoso e jovem sofrem AVC e, em estado grave, aguardam vagas em UTI

Ambos os pacientes estão internados no Hospital Regional de Alta Floresta, que não tem UTI, um deles terá que ser atendido na cidade por não resistir a uma transferência
Márcia Oliveira | Assessoria de Imprensa/DPMT

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Dois pacientes em estado grave, um idoso de 60 anos e um jovem de 28, aguardam vagas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) internados no Hospital Regional de Alta Floresta, 791 km de Cuiabá. Ambos sofreram acidentes vasculares cerebrais e as famílias buscaram auxílio da Defensoria Pública de Mato Grosso, para evitar que morram sem atendimento. O órgão protocolou ações na Justiça e aguarda as decisões.

Adelino Luiz Tibola, 60 anos, morador da zona rural da cidade é quem está em situação mais grave. Ele aguarda, há seis dias, decisão para ser levado para a UTI do hospital privado da cidade, pois segundo os médicos, ele não tem condições físicas para fazer uma viagem e ocupar uma vaga do Sistema Único de Saúde (SUS).

O defensor público da comarca de Vera, Vinícius Hernandez, que atende por designação casos de saúde da região, explica que o caso do idoso é o mais delicado, pois ele não resiste a uma transferência, terrestre ou aérea, para outro município.

“Apresentamos pedido de UTI urgente para o paciente, explicando que na cidade há uma UTI privada e solicitando que ele fosse encaminhado para lá. Mas na quinta-feira (30) o juiz da 1ª Vara Especializada de Fazenda Pública concedeu uma liminar para que o Estado fizesse a transferência do senhor Adelino para uma vaga do SUS. Eles tentaram fazer isso ontem, mas os médicos avaliaram que se a viagem continuasse, ele não resistiria”, explicou.

O reforço da solicitação do bloqueio de bens do Estado, para garantir atendimento de saúde para o idoso em Alta Floresta, foi feito ontem e os defensores que atuam no caso, aguardam nova avaliação do juiz. O hospital privado da cidade cobra R$ 20 mil o valor da diária para internação em sua UTI.

“A situação da oferta de saúde pública para os moradores do extremo Norte de Mato Grosso é de calamidade pública. Qualquer pessoa que precise de atendimento médico especializado, público, na região, ou consegue sair de lá ou morre. Esse é o triste cenário do local. Até ter estrutura adequada, esse não será o primeiro e nem o último caso”, avalia o defensor.

Justiça - Hernandez ainda explica que desde setembro de 2019, todos os processos de solicitação de saúde pela Justiça são avaliados por uma única vara, a 1ª Especializada de Fazenda Pública, em Várzea Grande. A mudança dificultaria em muito o trabalho.

“Hoje temos um único juiz para atender 100% das ações que antes, tramitavam em várias comarcas do Estado. Isso dificulta ainda mais o já complicado acesso ao direito de saúde para os moradores do interior de um estado tão grande como Mato Grosso”.

Avaliação médica – O idoso foi diagnosticado com acidente vascular cerebral isquêmico, em grande área do lado direito do cérebro, depois de apesentar mal súbito, em casa. No Hospital Regional o paciente chegou a ser submetido a um procedimento cirúrgico, mas os médicos indicaram a necessidade de transferência para UTI, com acompanhamento de neurocirurgião.

Além do problema que levou Adelino para o hospital, ele é diagnosticado com cardiopatia e hipertensão, entre outros problemas, desde 2013. “Embora o paciente tenha passado por cirurgia no hospital, ele precisa de atendimento especializado, em UTI, de forma urgente, medicamentos, especialistas e tratamento. Onde ele está não há estrutura e ele não pode ser transferido para outro município devido à instabilidade hemodinâmica”, cita trecho da ação inicial movida pelo defensor de Alta Floresta, Túlio Ponte.

No documento, o defensor pede, além da UTI, que o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, seja citado para o cumprimento da decisão judicial. E no caso de descumprimento, que seja ele seja multado em R$ 10 mil reais por dia. O juiz não acatou a transferência para rede privada, nem o pedido de responsabilidade pecuniária.

“Nos manifestamos novamente no processo, reforçando a informação de que o paciente não tem condições de sofrer um deslocamento longo, sob risco de perder a vida no trajeto. Ele precisa ser atendido no município e aqui, o único hospital com leito de UTI é privado”, reforça o defensor.

O Hospital Regional de Alta Floresta é referência para uma população de mais de 100 mil habitantes, de seis municípios e não conta com UTI adulta, infantil e neonatal.

Outro caso – Dione de Oliveira de Souza, 28 anos, foi diagnosticado com estenose mitral reumática, insuficiência cardíaca congestiva e acidente vascular encefálico. Ele precisa de uma cirurgia cardíaca, com acompanhamento de um cardiologista e UTI com urgência. Ele está internado desde o dia 26 de outubro no Regional de Alta Floresta e em decorrência da demora no atendimento, também precisará de acompanhamento de um neurologista.