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Defensor-geral conhece caso de sucesso que profissionalizou catadores e inspirou criação de Grupo Estratégico

O trabalho desenvolvido desde 2018 com catadores de materiais recicláveis de Água Boa é considerado modelo de atuação e a experiência foi ampliada para outras comarcas de Mato Grosso, há um ano, com a criação do Gaedic/Catadores
Marcia Oliveira | Assessoria de Imprensa da DPMT

Defensor público-geral, Clodoaldo Queiroz e integrantes do Gaedic Catadores conheceram projeto de sucesso em profissionalizar catadores de recicáveis - Foto por: Divulgação
Defensor público-geral, Clodoaldo Queiroz e integrantes do Gaedic Catadores conheceram projeto de sucesso em profissionalizar catadores de recicáveis
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O defensor geral de Mato Grosso, Clodoaldo Queiroz, conheceu em Água Boa, 743 km de Cuiabá, o projeto “Reciclando Dignidades” criado pela defensora pública e coordenadora do Grupo de Atuação Estratégica em Defesa dos Catadores de Recicláveis (Gaedic/Catadores), Carolina Weitkiewic. O projeto, que legalizou e profissionalizou a atuação de 12 famílias de catadores da cidade, em 2018, é modelo de atuação e inspiração para a criação do sétimo Gaedic do órgão, que neste mês completa um ano.

Após a criação do Gaedic/Catadores, a atuação da Defensoria Pública em defesa desse público se estendeu, de forma organizada e contínua, por vários municípios do estado, entre eles Cuiabá, Várzea Grande e Mirassol D’Oeste, onde Carolina está lotada atualmente. E a visita do chefe da Instituição fez parte da programação em comemoração ao primeiro ano de atuação do Grupo.

“O projeto Reciclando Dignidades tem uma enorme importância local e já propiciou a melhoria na qualidade de vida dos catadores de recicláveis de Água Boa, que saíram do lixão, de uma situação de miséria e total invisibilidade social para a organização profissional. Atualmente, eles trabalham em condições dignas, com renda superior e, sobretudo, com autonomia na defesa dos seus direitos”, declarou Queiroz.

O defensor avalia ainda que com o apoio da Defensoria, a população local mudou o olhar sobre o trabalho desempenhado pelos catadores. “A população do município mudou a sua visão acerca do trabalho dos catadores, compreendendo a sua importância para o meio ambiente e para a sociedade em geral. Eu vejo esse projeto como referência de sucesso para a organização de catadores em todo Mato Grosso e, futuramente, em todo o Brasil”, disse.

Queiroz explica que já conhecia o projeto e os catadores, mas que na visita, teve a oportunidade de conhecer o local em que eles trabalham. “É inspirador e gratificante ver toda a evolução na qualidade de vida e de trabalho dos catadores, graças a sensibilidade e trabalho da DPMT, por meio da defensora Carolina e agora, do Gaedic/Catadores”.

O defensor público-geral conheceu o galpão onde os catadores trabalham, a sede da Associação (ACAMARA), criada com auxílio jurídico e administrativo da Defensoria há três anos; o lixão; o aterro sanitário e teve reunião com o prefeito de Água Boa, Mariano Kolankiewicz Filho e vereadores, para sensibilizar a Administração Municipal sobre a importância de incluir os catadores no projeto de gestão da nova Central de Triagem da cidade. 

“O intuito da visita foi sensibilizar o prefeito sobre a importância da definição de um projeto de gestão da Central de Triagem. Pedimos que a ACAMARA seja considerada como peça central no funcionamento do local que, para ser finalizado, precisa de parte do maquinário”.

O prefeito se mostrou aberto a estudar a possibilidade e a defensora Carolina, em parceria com representantes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), ficaram de apresentar uma proposta de gestão que contemple os catadores. Além do defensor público-geral, participaram das visitas as integrantes do Gaedic Kelly Christina Monteiro (Cuiabá), Cleide Nascimento (Várzea Grande) e os defensores Thiago Alexsander e Wendel Renato Cruz (Água Boa) o suplente de deputado federal, defensor Valtenir Pereira. 

Visita - Os catadores receberam os defensores com cartazes de agradecimento e um café da manhã, ocasião em que expressaram a gratidão pelo apoio e parceria contínuos ao longo desses anos. “A condição dos catadores do município mudou drasticamente desde o início do projeto Reciclando Dignidades e eles deixam isso evidente ao reconhecer o trabalho ímpar da defensora Carolina”, disse Queiroz. 

A defensora avaliou a visita como extremamente positiva. “Fiquei muito feliz com a visita do defensor geral e dos colegas e das colegas do Gaedic. Foi uma oportunidade deles ouvirem das pessoas que viveram esse processo, as suas histórias de transformação, que é mais impactante do que ouvir de outros. Os catadores se sentiram extremamente valorizados e viram, mais que nunca, como a DP está se estruturando para lutar pelos direitos dos catadores em todo o Estado. A prefeitura também pode ver isso e já tivemos resultados imediatos”, afirmou Carolina.

A defensora informou que ao tomar conhecimento do projeto, a Prefeitura de Ribeirão Cascalheira convidou a ACAMARA para replicar a experiência naquele município. “A ideia já foi levada para aquele município e eles têm uma sede lá. A profissionalização dos catadores de Água Boa levou o grupo de trabalhadores a crescer. Eles começaram em 12 famílias e hoje são em 30 pessoas. Saímos desse encontro extremamente motivados para replicar a experiência em outras cidades”.

 

Projeto - O Reciclando Dignidades surgiu após a defensora Carolina atender um catador, no Núcleo da Defensoria de Água Boa, que buscava auxílio para regularizar seus documentos civis. Durante o contato, ela quis saber se existiam outras pessoas no município que trabalhavam catando material para reciclagem e solicitou uma reunião para conhecê-los e verificar a realidade do grupo.

Ao todo, 12 famílias catavam material no antigo lixão da cidade, sem equipamentos de proteção individual (EPI) e o mínimo de organização. A partir da primeira reunião, a defensora se dispôs a auxiliar o grupo a criar uma associação e assim, o trabalho começou. A ACAMARA foi criada e a partir dela, Carolina apresentou o grupo a empresários, prefeito, vereadores e solicitou apoio para compra de EPIs, uniformes, para incluí-los em eventos como feiras, exposições e para solicitar que materiais recicláveis fossem entregues ao grupo.

A partir de então, os auxiliou a locar um galpão para que pudessem trabalhar e sair do lixão. Os ajudou a comprar uma prensa ou locar, em valores possíveis. Fez o projeto Reciclando Dignidades contando a história da ACAMARA e o inscreveu no Tribunal Regional do Trabalho, para que a iniciativa concorresse a um prêmio em dinheiro. O projeto foi selecionado e com o valor, os catadores compraram um caminhão para transportar o material já prensado.

Com o caminhão, os catadores conseguiram melhorar a renda diária com a venda do material e sistematizar a organização da associação. Ao longo dos últimos três anos os catadores receberam capacitação, inclusão e criaram identidade profissional, deixando no passado a vergonha de tirar renda do material que, para a população, é considerado lixo.