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Catadores de recicláveis terão acesso a audiência pública sobre aterro sanitário, após Defensoria Pública ceder auditório

O grupo solicitou ajuda às defensoras que acompanham o processo de inclusão social dos trabalhadores, que temem ficar sem material de trabalho e consequentemente, sem fonte de renda
Marcia Oliveira | Assessoria de Imprensa da DPMT

Catadores temem que percam fonte de renda com fechamento do Lixão, sem que sejam incluídos - Foto por: Bruno Cidade
Catadores temem que percam fonte de renda com fechamento do Lixão, sem que sejam incluídos
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Mais de 70 catadores de materiais recicláveis, que trabalham no lixão de Várzea Grande, assistirão, do auditório da sede administrativa da Defensoria Pública de Mato Grosso, a audiência pública virtual, na qual a empresa Welfare Ambiental apresentará o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (Eia/Rima) para a implantação do aterro sanitário em Várzea Grande.

O evento está marcado para a terça-feira (26/10), das 9h às 11h, no prédio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Apreensivos com a possibilidade de perda de seus empregos, os mais de 200 catadores do local, pediram auxílio da defensora pública que atua em Várzea Grande e integra o Grupo de Atuação Estratégica (Gaedic/Catadores), Cleide Nascimento, para participarem do evento, fazer perguntas e buscar respostas sobre o seu futuro profissional. 

“Nossa expectativa na audiência é de apresentar o pedido para que sejamos contratados pelo município de Várzea Grande, para que possamos ser incluídos nesse processo, conforme determina a lei. Somos associação e se o município e o prefeito quiserem, podem nos contratar, para fazer o trabalho de educação ambiental e coleta seletiva na cidade. Com o fechamento do lixão, sem a nossa inclusão, perderemos o emprego”, apela a presidente da Associação Mato Grosso Sustentável (Asmat), Maria Aparecida do Nascimento, a Cidinha Catadora. 

Outra das intenções dos catadores em acompanhar a audiência pública é a de conhecer o que será feito no local e como será feito. “Queremos saber como estamos incluídos nesse processo. Ninguém nos explica nada, a única coisa que sabemos é que o local de nosso ganha-pão pode ser fechado a qualquer momento, por não respeitar a lei. Porém, onde vou trabalhar?”, pergunta a catadora Daniela de Deus Coelho, há três anos no Lixão. 

Daniela conta que passou a trabalhar no Lixão depois que o filho, adolescente, foi obrigado a deixar o local. “Meu filho me ajudava, catando material lá. Porém, é menor, teve que parar de trabalhar e eu fui. Antes, eu fazia faxina nas casas, mas na faxina se eu tirava R$ 80 por semana, era muito. Não era todo dia que eu conseguia casa pra limpar. No lixão, eu consigo R$ 400 por semana. Pra mim, que tenho filho pra criar, é fonte de sustento”, explica.

A coordenadora do Gaedic/Catadores, Carolina Weitkiewic, avalia que a situação dos catadores de Várzea Grande, como em qualquer encerramento de lixão, é muito preocupante. “As informações que temos ainda não são sólidas sobre como eles poderão continuar na atividade. Sei que existem propostas para ajudá-los, porém, todas insuficientes e assistenciais. Os catadores estão preocupados, e nós por consequência, também. Existe um grande risco de perda financeira para eles, a situação é periclitante e estamos acompanhando de perto”, disse.

A defensora Cleide está em viagem à Sinop, onde busca conhecer o processo de encerramento do lixão lá, para saber como foi feita a transição, pois o modelo adotado naquele município será o mesmo usado em Várzea Grande. 

As informações sobre a audiência pública podem ser acessadas neste link: aqui. E o projeto do Aterro Sanitário - Unidade de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Várzea Grande, pode ser lido aqui.