Defesensoria Pública do Estado de Mato Grosso

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Terça, 06 Março 2018 16:08 Última modificação em Terça, 06 Março 2018 18:08

Mulheres de Várzea Grande e Livramento terão Rede de Combate à Violência Doméstica

Escrito por  Márcia Oliveira

“Agir diferente para ter resultados diferentes”. Essa é uma das táticas que a Defensoria Pública de Mato Grosso pretende ampliar para auxiliar na redução das estatísticas de violência doméstica e familiar contra a mulher. O defensor público-geral, Sílvio Jeferson de Santana, fará adesão ao Protocolo de Intenções para implantar a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento, na quinta-feira (8), às 18h, no Centro Pastoral Aldacir Carniel, em Várzea Grande.

Foto Rede Combate Violencia VG InternaA Rede é um grupo de trabalho, formado por representantes de 12 órgãos e instituições como as prefeituras dos dois municípios, o Ministério Público, as polícias Civil e Militar, as secretarias de saúde de ambos os municípios e do Estado, sociedade civil organizada, entre outros, com foco na proteção. A intenção da atuação conjunta é estabelecer objetivos, metas e ações que previnam e reduzam os casos de violência contra a mulher no ambiente doméstico.

Atualmente a Rede funciona no município de Barra do Garças e a tendência é que ela seja gradativamente ampliada para o Estado. “O trabalho em rede favorece à vítima, o agressor, a família e toda a comunidade onde essa família está inserida, pois a atuação dos órgãos que são os primeiros a receber o registro dessa violência é ampliada. Saímos do campo do atendimento à vítima e da responsabilização do agressor para agir na prevenção de novos casos”, explica Santana.

A defensora pública que atende às vítimas de violência doméstica em Várzea Grande, Tânia Matos, explica que a crescente estatística indica que algo a mais deve ser feito. Só nos dois primeiros meses de 2018, 18 mulheres foram vítimas fatais de seus companheiros. “Não podemos mais atuar apenas depois que o crime já foi consumado. Temos que criar estatísticas, fazer cruzamento de dados e usá-los a nosso favor para evitar que uma família seja destruída”, defende.

Grafico Dia das Mulheres-01 Pequeno

Dados - Tânia mostra que de junho de 2017 a dezembro de 2017 ela ouviu para pesquisa 50 mulheres que decidiram processar seus maridos. Dessas, 20 eram dependentes financeiramente do marido, 30 eram independentes ou sustentavam a casa. Das 50 mulheres, 13 relataram ter sofrido mais de um tipo de violência, entre elas, a física; 18 disseram ter sofrido dois tipos de violência; 12, mais de três tipos de violência; quatro informaram ter sofrido violência psicológica e três indicaram ter sofrido violência física.

O levantamento ainda chegou à conclusão que 30 das atendidas são negras ou pardas e seus parceiros faziam uso de algum tipo de drogas lícitas ou ilícitas.

“Até fazer esse levantamento, eu acreditava que a maioria delas eram dependentes econômicas de seus parceiros. Mas não, a dependência emocional, a baixa autoestima, a vergonha, o medo e o envolvimento de seus parceiros com algum tipo de droga são elementos mais importantes na hora de denunciá-los. Logo, a atuação formal de registrar que elas são vítimas e apontar os culpados pelo sofrimento delas não é o suficiente para reduzir os registros”, avalia.

A defensora explica que com a Rede, os primeiros profissionais que recebem a vítima serão capacitados para dar uma atenção diferenciada, nos casos em que houver necessidade de proteção, a Polícia Militar e a Guarda Municipal farão um atendimento ostensivo, caracterizado, acompanhando de perto essas mulheres e os agressores também poderão receber orientação, capacitação.

Resultado - Tânia relata uma experiência importante, limitada em abrangência, mas que mostra resultado. Uma parceria com o Tribunal de Justiça permite encaminhar os agressores para um “Grupo Reflexivo”, dentro do Fórum, onde eles recebem, duas vezes por mês, palestras, capacitação e sensibilização sobre a importância da família e da paz nas relações. “Esse trabalho funciona, tem resultado. Muitos desses agressores aprenderam que o jeito de lidar com seus problemas era pela via da agressão desde muito pequenos. Não sabem fazer de outro jeito e quando percebem que têm alternativas, eles melhoram muito”.

A defensora acredita que o impacto social do trabalho pode ser positivo por vários aspectos. “Quando a mulher percebe que existe uma rede de proteção que funciona, ela se sente segura para denunciar. Quando o agressor percebe que existem pessoas vigiando sua conduta e que a repressão funciona, ele pensa antes de repetir uma agressão. A família ganha, a comunidade ganha por reduzir essas estatísticas trágicas”, conclui.

Márcia Oliveira
Assessoria de Imprensa

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