Defesensoria Pública do Estado de Mato Grosso

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Segunda, 12 Março 2018 18:00 Última modificação em Terça, 13 Março 2018 13:18

População de Colniza faz caminhada pela paz

Escrito por  Márcia Oliveira

Uma série de assassinatos violentos registrados em 2017, que vitimaram um ex-vereador, nove trabalhadores rurais e o prefeito da cidade, levou a população de Colniza, 1.065 km de Cuiabá, a se mobilizar e organizar a primeira passeata pela paz, com o tema “Eu Amo Colniza”. A Defensoria Pública auxiliou na organização do evento e defende que atos como esses são importantes para o exercício da cidadania.

O defensor público Diego Rodrigues Costa avalia a importância dos moradores - que são trabalhadores, cidadãos pacíficos e que prezam pela paz – manifestarem o desejo de ter um lugar tranquilo para viver. “A cidade aqui já foi considerada a mais violenta do país em 2007, com 165 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes e percebemos que isso gera um medo muito grande em todos. Mas eles querem paz”.

Costa afirma que a presença do Estado no município é tímida e que a distância da Capital e a extensão territorial são elementos que dificultam a atuação das instituições. O município tem 27.948 km², é o maior em área de Mato Grosso, e 36.161 habitantes. “Eu represento a Defensoria Púbica aqui desde janeiro de 2017, antes de mim, o último que passou aqui foi em 2011. A população é carente dessa estrutura e enxerga em nós, no Ministério Público, na Justiça, um apoio para se expressarem”.

Interno (5)

Passeata - Os moradores seguiram por quatro quarteirões caminhando e terminaram o percurso na praça central da cidade. Lá foi feito o plantio de 14 mudas de árvores, cada uma representando um desejo da população, paz, saúde, educação, honestidade dos gestores públicos, entre outros, e para finalizar, as crianças fizeram discursos pedindo a cidade que desejam num futuro próximo.

“Os cidadãos precisam perceber que a postura deles é importante para reverter o quadro de violência na cidade. Aqui verificamos que há muito medo, o silêncio é encarado como arma de proteção. Porém, isso está mudando e percebemos isso nos processos, a população se sente muito desprotegida, mas acredita nas instituições que estão aqui. Eles estão cansados dessa imagem sangrenta do lugar”.

Interno (2)A adesão à passeata teria surpreendido aos próprios moradores. A contagem feita pela Polícia Militar calculou a participação de 700 pessoas. Além dos moradores, representantes da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Justiça, do Ministério Público, de Igrejas, do comércio e outras instituições participaram do evento, realizado no sábado (10/3).

Homicídios - O ex-vereador Elpídio da Silva Meira, 53 anos, foi morto em março, dentro de sua casa, a tiros. Em abril, nove trabalhadores da gleba Taquaraçu do Norte foram mortos e cinco pessoas foram denunciadas pelo homicídio. Em dezembro de 2017 o prefeito, Esvandir Antônio Mendes, foi morto à tiros, em seu carro, quando voltava da zona rural para a cidade. Quatro pessoas foram denunciadas pelo crime, entre mandantes e executores.

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